Profissão: taxista (Fotojornalismo 2009/1)
O trabalho é concorrido e arriscado, mas os taxistas estão satisfeitos com o que fazem.
"É uma cachaça", decreta Vera Dusco, que há oito anos recebe olhares desconfiados por trabalhar em um meio tradicionalmente masculino. Taxista gosta de ser taxista. É uma unanimidade difícil de ser encontrada em outra profissão. O serviço autônomo, carente dos benefícios próprios das ocupações com vínculo empregatício, compensa pelas aventuras cotidianas, pelo imprevisível, pelas inúmeras histórias vividas, ouvidas e, depois, contadas com gosto - seja para um novo passageiro, seja para estudantes de Jornalismo curiosos.
Porto Alegre está cheia dessas histórias: são 4.012 táxis, uma média de um para cada 330 pessoas, o que ultrapassa em muito o mínimo recomendado para que uma cidade esteja bem abastecida de taxistas. O ponto da Rodoviária, por exemplo, é o maior da América Latina (e do Brasil, e do Rio Grande do Sul, faz questão de acrescentar Celso Rovani, responsável pelo ponto), com 383 carros disponíveis. Cada um faz, em média, trinta corridas diárias. Faça as contas. É muita história para contar. Mulheres perseguindo maridos - e vice-versa -, taxistas inexperientes deixando o passageiro dirigir, sexo fácil de madrugada, carona para as meninas do Carmen's Club, gorjeta do passageiro pobre, avareza do rico, um corredor de táxis de faróis ligados para ajudar um avião a pousar em um Salgado Filho sem luz. Pensando bem, quem não gostaria de ser taxista?
Demétrio Pereria
Paulo Finatto Jr.